III Colóquio Internacional Letra Associação Psicanalise – Clinica Atual. Psicose e outros nós.

Argumento

Que nossa escolha tenha recaído sobre este tema, longe de significar que tenhamos as respostas para todas as questões suscitadas pela aposição desse significante à nossa clínica, deve indicar, não mais que isso, que estejamos dispostos a nos deixar interrogar por ele.
Trata-se afinal de uma nova psicanálise, como querem alguns, ou de novos nós, com toda a equivocidade que os termos possam comportar, esta a que chamamos clínica atual? Ou, ainda, da atualização necessária, e necessariamente do mais inédito rigor no que concerne à ética, não apenas da nossa clínica, mas do próprio conceito das estruturas, como as aprendemos? Trata-se, insistimos, de uma nova psicanálise, sobre o decreto da morte dessa que herdamos de Freud e Lacan, ou de psicanalistas que, de novo, assumam o dever sustentar sua posição em suas formações, sempre plurais, mesmo que de sustentável ela nada tenha, para dai se autorizar a reinventá-la?
Podemos pensar que ao rever, à luz das transformações contemporâneas, os princípios de uma nosografia, afinal não tão antiga e muito menos extinta, não é com uma nova clínica psicanalítica das psicoses e demais “estruturas”, tal como eram conhecidas, que nos encontramos. Mas que se ousamos transpor os limites do que tais fronteiras tenham pretendido assegurar, é com a psicanálise nos seus princípios, revolucionários mesmo, que nos reencontraremos.
É comum que na dança das eras, nossa evolução nos exija mudanças de pele. E que elas nos imponham fazer o luto de velhas garantias. Mas é imperativo recordar que adaptação não é um conceito nem um ideal psicanalítico.
Dar ao real o seu lugar, e reconhecer o sujeito pelos modos como se encadeiam ali as três dimensões que o constituem, em vez de simplesmente acomodá-lo no conforto de um dos três continentes conhecidos, psicose, perversão ou neurose, requer, ao contrário do que possa parecer, resgatar conceitos preciosos.
Afinal, não é mera coincidência que a dita clínica atual tão amiúde nos reapresente ao que Freud designou como neuroses – nunca tão – atuais. E que elas nos obriguem por sua vez a continuamente atualizar a invenção de Lacan, esse objeto cujo estatuto de falta deveria ser o de causar nosso desejo.
Em tempos de transferências líquidas, amor à unanimidade, jamais tão impossível quanto mais é perseguida, horror à divisão que em consequência dele se torna despedaçamento, e de mostração, mais do que de dizer; nossa aposta é que, assim como Lacan nos propôs um retorno a Freud, é um retorno à psicanálise, o que o nosso mal-estar contemporâneo nos propõe.
Lacan escandalizou uma audiência talvez indignada, associando uma forma de “covardia moral” ao que provavelmente é o mal do nosso século, a depressão. Expressão tão pertinente quanto mal compreendida. Se persistimos, como nos foi indicado, em que a “covardia” do sujeito depressivo seria a de não se considerar um sujeito. E a dita “depressividade” contemporânea, termo que tem sido proposto como equivalente daquela falta de coragem, uma “inibição diante da palavra”.
Jean-Jacques Tyszler, nosso conferencista convidado, assim como outros autores, tem chamado a atenção para a sua incidência nos dias atuais. Pelo que somos convidados a interrogar a medida em que o discurso social contemporâneo seria capaz de assegurar um legítimo lugar de enunciação. Roland Chemama, ao se deixar provocar pelo que nos tem adiantado Tyszler, pergunta se ainda é de um “declínio” dos Nomes do Pai, como se falava na aurora do século, ou da pretensão de foracluir a pura diferença que padece a nossa cultura. Da pretensão de poder passar sem um lugar de exceção, que assegure que todos os discursos não se equivalham, e à palavra a sua vigência.
Falar de clínica atual assim é, talvez, uma forma de fazer frente à essa covardia crescente. De dizer não à inibição diante da palavra, da nossa responsabilidade para com ela, e de ter a coragem, afinal, de interpelar a nossa própria prática, restituindo ao saber a sua incompletude, sua obrigatória dimensão de não-todo.

Angela Valore
Letra Associação de Psicanálise
Presidente

Conferencista convidado
Jean-Jacques Tyszler

Psicanalista e psiquiatra, membro da Association Lacanienne
Internationale, diretor de ensino do Hospital de Ville Evrard,
Paris, França.

Obras publicadas:
À la rencontre de Sigmund Freud” – édition Piktos 2013;
Le fantasme fait-il noeud?“, em Cahiers de l´Association
Lacanienne Internationale, 2010, que no Brasil foi publicado
como “O fantasma na Clínica Psicanalítica“,
As metamorfoses do objeto” – publicação do Tempo
Freudiano, 2011.
Além de vários artigos publicados em diversas revistas
e coletâneas.

Participantes

ALBERTO PHILIPPI MAY Florianópolis – SC
ANGELA VALORE Curitiba – PR
ANTÔNIO ROBERTO BRUNETTI Curitiba – PR
CARLOS AUGUSTO REMOR Florianópolis – SC
CÉLIA F. C. WINTER Curitiba – PR
DULCE DUQUE ESTRADA Rio de Janeiro – RJ
FERNANDO HARTMANN Porto Alegre – RS
GESIMARY DE SANTI AZEVEDO Curitiba – PR
GRAZIELA REBOUÇAS BRUNETTI Londrina e Curitiba – PR
LETÍCIA PATRIOTA FONSECA Recife – PE
MÁRCIA C. MARTINS GARCIA Londrina – PR
MARCUS DO RIO TEIXEIRA Salvador – BH
MARIA IDÁLIA DE GÓES Rio de Janeiro – RJ
MAURO MENDES DIAS Campinas e São Paulo – SP
NANCY GRECA CARNEIRO Curitiba – PR
PEDRO HELIODORO BRANCO TAVARES Florianópolis – SC
REJANE CAMARDA Rio de Janeiro – RJ
VALÉRIA CODATO A. SILVA Maringá – PR
VERA TUBINO Curitiba – PR

Inscrição

Valores:

Estudantes – R$180,00 até 30/09,

R$220,00 de 01/10 até 30/10, e

R$280,00 no local.

Profissionais – R$230,00até 30/09,

R$270,00 de 01/10 até 30/10, e

R$320,00 no local.

Inscrições:

Banco do Brasil

Ag. 1432 –X

Conta corrente 25.612-9

CNPJ: 10.475.222/0001-14

Enviar comprovante de depósito para o e-mail: coloquioletraclinicaatual@gmail.com

 

Hotéis Conveniados:

Slaviero Conceptual Full Jazz – Batel – Curitiba. Contato através do e-mail : eventos.scfj@slavierohoteis.com.br, informando que faz parte do colóquio de psicanálise: “Clínica atual, psicose e outros nós”, em 2, 3 e 4 de novembro.

Transamérica Prime – Batel – Curitiba. Contato através do e-mail: rccuritiba@transamerica.com.br ou tel: (41) 3017-1700, informando que faz parte do grupo  “associação de psicanálise”, em 2, 3 e 4 de novembro.

Nomaa Hotel – Curitiba. Contato através do e-mail: reservas@nomaa.com.br ou tel: (41) 3087-9595, informando que faz parte do “ congresso de psicanálise”, em 2, 3 e 4 de novembro.

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